- Economia & Negócios
- setembro 22, 2026
- 5 minutos
Sorvete movimenta indústria e ganha novos hábitos
Celebrado em 23 de setembro, Dia do Sorvete destaca um setor que reúne 484 empresas e mais de 3,2 mil empregos formais em Minas Gerais

Da Redação
Do tradicional sorvete servido na praça aos produtos premium, versões sem adição de açúcar e opções com novas funcionalidades, o mercado de gelados comestíveis acompanha as transformações no comportamento dos consumidores e na própria indústria.
No Dia do Sorvete, celebrado nesta quarta-feira, 23 de setembro, números do setor mostram a importância dessa atividade para a economia de Minas Gerais e do Brasil.
De acordo com o Boletim da Indústria de Laticínios, Brasil e Minas Gerais, elaborado pela gerência de Economia da Fiemg com dados do primeiro trimestre de 2026, sorvetes e preparações para sorvetes foram o principal produto exportado pela indústria brasileira de laticínios no período. Dados do Comex Stat mostram que as vendas externas chegaram a US$ 14 milhões.
Segundo a coordenadora da Gerência de Economia da Fiemg, Juliana Gagliardi, no primeiro semestre de 2026, os sorvetes se destacaram como o principal produto lácteo exportado pelo Brasil, respondendo por 37,0% das vendas externas da indústria de laticínios.
“Esse é um dos poucos segmentos da cadeia em que o país apresenta superávit comercial: o valor exportado foi mais de quatro vezes superior ao das importações, o que sinaliza a competitividade da indústria nacional nesse mercado. Em Minas Gerais, o desempenho também foi positivo, com saldo superavitário na balança comercial”, destaca.
Em Minas Gerais, dados estruturais da indústria, com base na RAIS/MTE de 2025, apontam a existência de 484 empresas dedicadas à fabricação de sorvetes. Juntas, elas são responsáveis por 3.243 empregos formais e por uma massa salarial anual de R$85,6 milhões.
Para o presidente do Sindicato da Indústria de Sorvetes do Estado de Minas Gerais (Sindisorvete MG), Wander Bertolace de Carvalho, a atividade está fortemente inserida na economia e no cotidiano dos municípios mineiros. Segundo ele, o setor está presente nos 853 municípios do estado e é formado principalmente por pequenos negócios.
“Em Minas Gerais, 97% do setor de sorvetes é composto por micro e pequenas empresas, sendo a maioria delas empresas familiares. São negócios antigos. Você encontra empresas com 30, 40, 50 e até 70 anos”, afirma.
Além da importância econômica, Wander destaca a relação afetiva criada entre o produto e os consumidores. “É um setor que emprega muito e que deixa marca na memória. O sorvete está ligado a momentos felizes, de alegria, com a família, o marido, o namorado ou os filhos. São momentos que ficam gravados”, diz. Para celebrar a data, o presidente do Sindisorvete MG reforça: “Viva o sol, viva o sorvete”.
Consumidor busca sabor e experiência com o sorvete
Uma pesquisa da Abrasorvete em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), mostra que o produto faz parte da rotina de uma parcela significativa dos consumidores. Entre os entrevistados, 56,2% afirmaram consumir sorvete pelo menos uma vez por semana.
A experiência também tem peso importante na escolha. Para 76,2% dos participantes, ir à sorveteria é uma preferência justamente pela experiência proporcionada pelo estabelecimento.
Quando precisam escolher entre dois sorvetes, 62,6% apontam o sabor como fator decisivo, enquanto o preço aparece como principal critério para 15,6%.
A percepção de qualidade também está associada às características sensoriais do produto. Segundo o levantamento, 64,8% relacionam qualidade à cremosidade e 61,4% ao sabor intenso.
Produtos diferenciados também encontram espaço: 57,2% dos entrevistados disseram ter experimentado ou comprado sorvetes premium ou gourmet nos últimos seis meses.
Ao mesmo tempo, mudanças nos hábitos alimentares começam a influenciar a categoria. A pesquisa mostra que 52,8% dos consumidores reduziram o consumo de açúcar no último ano e 40% aumentaram a ingestão de proteínas.
Quando perguntados sobre sorvetes funcionais, 87,1% afirmaram que experimentariam uma versão desse tipo ou que poderiam passar a consumir no lugar do produto atual.
Entre as pessoas que usam ou já utilizaram medicamentos para emagrecimento, 54,1% disseram ter passado a consumir porções menores e 33,4% passaram a preferir versões consideradas mais saudáveis.