- Turismo
- junho 17, 2026
- 15 minutos
A experiência de viver BH como turista em um hotel de rede internacional
Instalado na região da Praça da Liberdade, Tribe e seus espaços transformam um simples fim de semana em uma imersão cultural na capital mineira contemporânea

Luís Otávio Pires
Imagine chegar a um bar e ser recebido com a seguinte pergunta: “Desejam uma mesa com vista para o mar ou para Versailles?”.
A cena poderia acontecer em uma cidade litorânea ou em algum destino europeu. Mas ocorreu em Belo Horizonte. A brincadeira elegante partiu do maître do Coreto, o rooftop bar do Tribe Belo Horizonte Savassi. Em poucos segundos, a descontração da recepção já antecipava uma das principais características do hotel: a capacidade de transformar pequenos momentos em experiências memoráveis.
Instalado nos arredores da Praça da Liberdade, no chique bairro de Lourdes, o Tribe BH foi escolhido pela Accor para receber a primeira unidade brasileira da marca criada na Austrália e presente em cidades como Paris, Londres, Milão e Amsterdã. Além trazer um conceito internacional para a capital mineira, o empreendimento encontrou sua identidade ao mergulhar na cultura local.

E talvez seja justamente por isso que o hotel se encaixa tão bem em uma tendência que cresce no mundo inteiro: o staycation, prática que transforma a própria cidade em destino turístico. Em vez de aeroportos, longas viagens ou roteiros complexos, a proposta é simples: trocar a rotina por novas experiências “sem sair de casa”.
Para quem mora em Belo Horizonte, a experiência é quase surpreendente.
Durante dois dias, a sensação não foi a de permanecer na cidade, mas a de descobri-la novamente. Uma Belo Horizonte mais contemplativa, mais gastronômica, mais cultural e, ao mesmo tempo, profundamente conectada às suas raízes.
A localização ajuda nessa transformação. A poucos metros estão alguns dos principais atrativos da capital, como o Circuito Liberdade, museus, centros culturais, galerias, cafés, livrarias e restaurantes. O carro rapidamente perde importância. Caminhar passa a ser o melhor meio de transporte.
Aliás, se for de carro, prepare-se. O Tribe não possui estacionamento para hóspedes. Mas a poucos metros dali, pode-se estacionar o carrão no Minas Tênis Clube, onde a diária/pernoite custa R$ 65.
Mas o Tribe vai além da localização privilegiada. O hotel ocupa um edifício histórico que passou por um cuidadoso processo de revitalização. A arquitetura preserva elementos originais, enquanto incorpora uma linguagem contemporânea, ao criar ambientes que equilibram memória e modernidade.
Os 79 apartamentos seguem a mesma proposta. São espaços bem planejados, com decoração minimalista, iluminação acolhedora e soluções funcionais que tornam a hospedagem confortável tanto para viagens de lazer quanto para compromissos profissionais. As diárias do Tribe BH variam de R$ 400 e R$ 800, conforme a época, do tipo de quarto e da inclusão de café da manhã.
Broa Café com a recepção integrada gera uma atmosfera informal e convidativa:
São 79 apartamentos no Tribe BH com espaços bem planejados, decoração minimalista e iluminação acolhedora:
Logo na entrada, o clima já foge dos padrões tradicionais da hotelaria. A recepção se integra ao Broa Café e cria uma atmosfera informal e convidativa. É um daqueles lugares que convidam à pausa. Sem pressa. Funciona como ponto de encontro entre hóspedes e moradores da cidade, que compartilham mesas, conversas e cafés preparados com grãos selecionados de produtores mineiros, além de bolos, tortas, salgados, e os imperdíveis pão de queijo de Canastra e a broa servida quente e recheada do mesmo queijo.
No fim da tarde, o destino quase obrigatório é o Coreto. Olha ele aí de volta.
Instalado no terraço do hotel, o espaço oferece uma vista privilegiada da região central de Belo Horizonte. À medida que o sol se põe, a cidade ganha novas cores e revela ângulos que muitas vezes passam despercebidos na correria do cotidiano.
Lembra da vista para o mar ou para Versalhes? Pois as referências são as piscinas do Minas, que ficam lindíssimas à noite, todas iluminadas. E o Palácio da Liberdade, que também recebe iluminação especial e vira realmente um castelo.
A carta de drinques do Coreto aposta em ingredientes brasileiros e receitas autorais, enquanto o ambiente mistura moradores, turistas e hóspedes em um cenário que rapidamente se tornou um dos pontos mais interessantes da vida noturna da região.
O legal são alguns dos nomes dos drinques que homenageiam BH, como o Praça Sete e o Lagoinha. Acompanham as bebidas, petiscos que misturam mineiridade e sofisticação. O Curado, por exemplo, traz queijos mineiros e charcutaria, com compota de jabuticaba e conserva de abacaxi para equilibrar. Já o Angus da Chef tem vários mini-tornedores da carne especial, batatas assadas em formato de triângulo (olha Minas aí de novo, uai) e um creme à base de Shoyu artesanal – é sensacional.
Coreto Bar oferece petiscos requintados e coquetéis com nomes que homenageiam lugares de BH:
O Tribe BH encontra sua principal assinatura no Trintaeum, um de seus espaços. Comandado pela chef Ana Gabriela Costa – que também comanda o menu do Bora Café e do Coreto -, o restaurante tornou-se um dos endereços mais relevantes da nova cozinha mineira. A proposta não é reproduzir receitas tradicionais, mas reinterpretar memórias afetivas por meio de técnica, pesquisa e valorização dos ingredientes locais.
Queijos artesanais de diferentes regiões do Estado protagonizam degustações guiadas. Quitandas, compotas e doces ganham novas leituras. Clássicos como galinhada, lombo com tutu, pastel de angu e frango com quiabo aparecem em versões contemporâneas que preservam a essência dos sabores mineiros.
Outro diferencial está na carta de bebidas. A adega reúne exclusivamente vinhos produzidos em Minas Gerais, ao conduzirem os visitantes por terroirs da Serra da Mantiqueira e do Sul de Minas, regiões que têm conquistado reconhecimento nacional pela qualidade de seus rótulos.
O café da manhã para os hóspedes do hotel é servido neste mesmo Trintaeum e não está incluído na diária – paga-se à parte. Além do buffet completo, com pães, sucos, café, leite e frios, incluindo uma estação de queijos mineiros artesanais de diversas regiões de Minas (da Canastra, do Serro, da Serra do Salitre e etc), o freguês ainda recebe à mesa pão de queijo quentinho, frutas da estação e ovos caipiras preparados na hora.
Café da manhã no Restaurante Trintaeum é um capítulo à parte na hospedagem no Tribe BH:
Ao final da hospedagem, fica evidente que o Tribe BH não foi concebido apenas como um hotel.
O empreendimento funciona como uma plataforma de experiências, onde gastronomia, cultura, arquitetura, hospitalidade e vida urbana convivem de forma integrada.
Para quem visita Belo Horizonte, ele oferece uma imersão na mineiridade contemporânea. Para quem mora na capital, proporciona algo ainda mais raro: a oportunidade de enxergar a própria cidade sob uma nova perspectiva.
Porque o verdadeiro sentido do staycation não está apenas em trocar de endereço por alguns dias. Está em mudar o olhar. E poucos lugares conseguem fazer isso com tanta naturalidade quanto o Tribe BH.
Saiba mais sobre o Tribe BH
Tem:
- Academia
- Restaurante e cafeteria
- Rooftop (drinqueria)
Não tem:
- Estacionamento
- Piscina
- Produtos não mineiros, como Coca-Cola
Horários de atendimento
Endereço: Rua da Bahia, 2200 – Lourdes
- Segunda: 6h30 às 10h30
- Terça a Sábado: 6h30 às 10h30 / 12h às 15h30 / 19h às 23h
- Domingo: 6h30 às 10h30 / 12h às 16h
- Quarta a sábado: 17h às 00h00
- Domingo: 17h às 22h
- Segunda a domingo: de 8h às 19h
O que fazer a pé perto do Tribe BH
Hospedar-se no Tribe tem uma vantagem imediata: boa parte dos principais atrativos culturais e turísticos de Belo Horizonte pode ser explorada a pé. Em poucos minutos de caminhada, o visitante encontra museus, teatros, cafés, feiras e alguns dos edifícios históricos mais importantes da capital mineira.
Circuito Liberdade
O grande destaque da região é o Circuito Liberdade, conjunto cultural instalado ao redor da Praça da Liberdade. O projeto ocupa os antigos prédios das secretarias de Estado e reúne mais de 15 instituições dedicadas à arte, à ciência, à história e à memória de Minas Gerais.
Imperdíveis no roteiro
- Palácio da Liberdade — antiga sede do governo mineiro, com visitas guiadas pelos salões históricos, jardins e pelo Jardim das Esculturas.
- MM Gerdau – Museu das Minas e do Metal — exposições interativas sobre mineração, geologia e a formação do território mineiro.
- CCBB Belo Horizonte — programação contínua de exposições, cinema, teatro e música.
- Espaço do Conhecimento UFMG — planetário e mostras que aproximam ciência, arte e tecnologia.
- Memorial Minas Gerais Vale — experiência imersiva dedicada à cultura, à literatura e às tradições do Estado.
- Casa Fiat de Cultura — exposições temporárias de artes visuais e projetos educativos.
Dica: reserve ao menos uma manhã ou uma tarde para percorrer o circuito com calma. As distâncias entre os espaços são curtas e a caminhada pela praça faz parte da experiência.

Teatro do Centro Cultural Unimed-BH Minas
A cerca de dez minutos do hotel, dentro do Minas Tênis Clube, está uma das salas de espetáculo mais importantes da cidade. O teatro possui 602 lugares e infraestrutura voltada a montagens teatrais, musicais, audiovisuais e eventos híbridos.
O projeto contou com consultoria cenotécnica de Pedro Pederneiras, fundador e integrante do Grupo Corpo e referência na criação de teatros multifuncionais. A sala dispõe de palco italiano, tecnologia cênica de última geração e recursos completos de acessibilidade, com rampas, plataforma elevatória, piso tátil e sinalização adequada.
Dica: consulte a programação antes. Concertos, peças, dança e musicais costumam ter alta procura nos fins de semana.

Feira Hippie de Belo Horizonte
Se a hospedagem incluir um domingo, vale estender a caminhada até a tradicional Feira de Artes, Artesanato e Produtores de Variedades, conhecida por todos como Feira Hippie. Ela ocupa cerca de 45 mil m² da Avenida Afonso Pena e reúne aproximadamente 1.600 barracas, sendo considerada a maior feira de artesanato a céu aberto da América Latina.
O que encontrar por lá:
- Artes e decoração: quadros, esculturas, cerâmica e móveis artesanais.
- Moda e acessórios: roupas, bolsas, calçados e peças em couro.
- Casa e utilidades: tapetes, cortinas, utensílios e objetos decorativos.
- Gastronomia: pastéis, doces caseiros e o tradicional fígado com jiló.
- Infantil: brinquedos, pelúcias e itens para bebês.
Dica: a feira funciona aos domingos, das primeiras horas da manhã até o início da tarde. Chegar cedo ajuda a evitar o movimento mais intenso e garante mais tranquilidade para explorar as barracas.

Roteiro rápido
- Uma manhã sem carro: Saia do Tribe às 9h, atravesse a Praça da Liberdade, visite dois museus do circuito, faça uma pausa no Broa Café no retorno e reserve o fim da tarde para o pôr do sol no Coreto, quando a vista da cidade ganha luz dourada e a caminhada termina com um drinque no rooftop.
















