Degustatividade: Casa Azeite

Degustatividade: Casa Azeite

Casarão histórico reúne boa gastronomia e atmosfera acolhedora

Lagarto braseado anchovas e alcaparras (1)
Lagarto braseado anchovas e alcaparras (Foto: Léa Araujo)

 

Iolanda e Philippe realizaram o sonho de abrir um restaurante aconchegante e moderno com pratos que atendam a todos os gostos. O casal adquiriu uma antiga casa do bairro Floresta e juntos planejaram a reforma, sendo a própria moradia no andar de cima e o restaurante no andar de baixo.

A empresária cuidou de cada detalhe, inclusive participou da customização da parede do bar, estilizada com papel alumínio – ficou bem interessante. Obras de arte do artista Pedro Mazzinghi decoram os ambientes e estão todas disponíveis para venda.

Inicialmente, contrataram o chef Pedro Melo para desenvolver as ideias do cardápio e hoje quem comanda a cozinha é Amanda Ferreira, que trabalhou no Cozinha Tupis ao lado do consultor. Mesmo enxuto, o cardápio vai além dos pratos carnívoras e oferece opções veganas, vegetarianas, sem glúten, sem lactose, desde a entrada, principal e sobremesa.

 

Filé mignon de porco ao roti fettucine artesanal e kale
Filé mignon de porco ao roti fettucine artesanal e kale (Foto: Léa Araujo)

 

As entradas são fartas, ideais para serem compartilhadas. Destaque para a crocante acelga na brasa (R$36) coberta por um delicioso creme de castanha de caju e uma generosa camada de Grana dos Laura, queijo produzido em Passa Quatro/MG, inspirado no Parmesão. Picles de semente de mostarda e de picles de cebola dão uma acidez especial ao prato vegetariano. 

Para os que não dispensam carne, o lagarto braseado é uma ótima opção, com maionese de anchovas e alcaparras (R$55). A famosa burrata fresca de búfala do Vincenzo é servida com tomates em diferentes cores e formatos, farofa de pão com maracujá, melaço de balsâmico e picles de uva verde (R$69). Daquelas friturinhas sequinhas, a croqueta de cupim (R$49) e o croquete de milho defumado (R$38) recheado com queijo cuesta azul da Fazenda Pardinho/SP valem a pena, ambos com um toque sutil de pimenta.

 

Surubim dendê banana da terra e coco queimado
Surubim dendê banana da terra e coco queimado (Foto: Léa Araujo)

 

Guiozas (R$55) de porco ou de cogumelos são cobertos por uma fina telha, com molho teriyaki de tucupi à parte. As queridas batatas fritas passam por um processo de fermentação de um a dois dias em solução salina para que fiquem bem crocantes por dentro (R$35).

Depois da maratona de provar todas as entradas, que poderiam muito bem compor uma refeição completa e deliciosa, passamos para a degustação dos principais. Fui conquistada pelo espesso molho de dendê que acompanha o surubim (R$89), peixe do dia, e também o palmito pupunha na brasa (R$69), ambos guarnecidos de purê de banana da terra e farofa de coco queimado.

 

Burrata fresca de búfala com tomates
Burrata fresca de búfala com tomates (Foto: Léa Araujo)

 

O fettucine artesanal do Pichita Lanna apresenta-se em versão vegetariana com creme de abóbora e mussarela fresca de búfala (R$69) ou com filé mignon de porco (R$75), muito macio com um saboroso molho roti e crocante de couve kale. Inclusive são novidades do menu.

O arroz de pato (R$89) vem com ovo perfeito e maionese de gochujang e o bife de chorizo (R$89) tem o toque da brasa, acompanhado de salada de ervas e purê de batata bem lisinho. Ao final, não perca a mousse de chocolate amargo com flor de sal e azeite de laranja, que fez toda a diferença da sobremesa (R$35).

Iolanda foi a responsável por elaborar a carta de drinks e conta que:

 

“Foram criados em diferentes épocas da minha vida. Eu fiz um cardápio enxuto com cinco coquetéis autorais e cinco clássicos. A degustação com todos os autorais recebeu o nome “Nós 5”, em homenagem a um grupo de amigas da minha mãe.”

 

Apresentados em versões menores (R$71), equivalem em quantidade a dois drinks e meio. É a melhor maneira de explorar os drinks autorais da casa, sendo dois à base de cachaça e dois de gin. Dos clássicos, provei o Negroni Sbagliato (R$37), que leva espumante e equilibra o amargor do coquetel, estava muito bem executado.

Conde D’Ervideira Branco, vinho submerso nas águas

Baixa luminosidade, temperatura estável e umidade controlada são condições ideais de armazenamento de vinhos em longo prazo, no intuito de preservar suas características organolépticas como sabor, aroma e cor. Posto isso, acredita-se que o fundo dos lagos e mares oferecem ambiente propício para deixar o vinho em repouso, longe da luz solar. O contato constante com a água não deixa a rolha ressecar, além da alta pressão das profundezas que influencia positivamente a micro-oxigenação através da rolha e a consequente evolução dos sabores do vinho.

 

Notinha 1 Conde D'Ervideira Branco
Conde D’Ervideira Branco (Foto: Léa Araujo)

 

A vinícola portuguesa Ervideira adota a técnica de submersão para o Conde D’Ervideira Branco, da variedade Antão Vaz, que permanece por 8 meses a 30 metros de profundidade no lago Alqueva, no Alentejo, após estagiar 6 meses em carvalho húgaro de primeiro uso. Mostrou-se um vinho aveludado, untuoso com as típicas notas de frutas tropicais clássicas da Antão Vaz em evidência.

Harmonizou muito bem com a fonduta de camarão e gremolata de pinoli, uma das etapas do jantar servido pelo Renato Quintino após o concerto “Trio de Sopros” exibido pelos os músicos da Orquestra Filarmônica: Renata Xavier na flauta, Alexandre Barro no oboé e Adolfo Caberizo no fagote.

Mudanças no Florestal

Últimos dias para desfrutar do cardápio do Florestal, que passará por uma transformação radical a partir do dia 12 de novembro. Alguns dos campeões de venda, como a couve-flor frita lambuzada (R$55), o ceviche de peixe com manga (R$65) e o vinagrete de churrasco de milho com maionese de abacate e doritão da casa (R$55) devem permanecer, porém em um novo formato.

 

Notinha 2 Couve flor frita lambuzada
Notinha 2 Couve flor frita lambuzada

 

Fiquei contente em ver que o jiló espalmado com creme de castanha fermentada (R$55) e o salpicão de palmito defumado (R$65) também não constam na lista do adeus. Cada um desses pratos mencionados tem o toque especial e criativo da chef Bruna Martins, que certamente vai nos surpreender com as novidades que entrarão em cena. Haverá também uma ampliação do horário de funcionamento, com almoço de quarta a domingo. 

Aniversário do Bar Pirex

Após passarem pelo congresso Gastronomika em San Sebastian, Caio Soter, Vitor Velloso e Rubens Catarina bolaram um cardápio inspirado nos sabores do norte da Espanha, em comemoração ao terceiro ano do Bar Pirex. O vermute, bebida à base de vinho infusionado em ervas entrou não só na composição dos coquetéis (R$35) como também serviu de recheio, em consistência de gel, para as azeitonas (R$24,80).

Adorei a combinação do fígado e moela de frango com geléia de figo, uma ótima a terrine (R$16,80) para passar no pão. Os maravilhosos cogumelos da Innat brilharam em diferentes tipos, feitos na brasa e servidos com gema de ovo molinha (R$38,80). Entraram também no recheio do dadinho de tapioca com um toque de anchova (R$ 38,60), delicioso.

 

Notinha 3 3 anos do Pirex
3 anos do Pirex (Foto: Léa Araujo)

 

Receitas com dobradinha também são populares na Espanha, onde o prato é conhecido como “callos” e, geralmente, levam grão-de-bico em vez de feijão branco. Por lá a rabada é chamada de rabo de toro. Na festa do Pirex teve dobradinha com feijão branco (R$32,80) e rabada com bochecha de porco na cerveja preta Caracu (R$49,90).