Degustatividade: Lagar Tragaluz Tiradentes

Degustatividade: Lagar Tragaluz Tiradentes

Cozinha mediterrânea com o toque mineiro de Felipe Rameh no coração de Tiradentes

Lagar Tragaluz edited
Lagar Tragaluz Tiradentes (Fotos Léa Araujo)

 

Inaugurado no ano passado, o Lagar é mais um restaurante de alto padrão na Rua Direita, bem em frente ao seu irmão Tragaluz, que já faz sucesso há 26 anos. Os dois restaurantes têm em comum a essência da cozinha contemporânea com toques mineiros pelas mãos do chef Felipe Rameh.

Situam-se em casarões que contam a história da cidade de forma a preservar a memória de Tiradentes. Para compor o cardápio do Lagar, o Felipe Rameh desenvolveu receitas inspiradas na cozinha mediterrânea. Seus pratos são repletos de conforto e equilíbrio de sabores. Regada com bastante azeite, a Berinjela Espalmada (R$45) tem textura cremosa e ganha frescor com folhas de menta, romã, tahine e coalhada seca.

 

Filé Mignon Cacio e Pepe
Filé Mignon Cacio e Pepe

 

O azeite está presente inclusive no coquetel Prosa Mineira (R$35), que leva cachaça, mel, alecrim e limão siciliano. Já no performático Maria Fumaça Negroni (R$33) a cachaça entra para equilibrar com o Campari, vermute rosso e bitter de laranja. O drink é servido em uma redoma de vidro preenchida de fumaça e até o sino do trem é reproduzido na apresentação. 

Destaque também para o Steak Tartare (R$82), que é preparado na mesa, ao vivo – seus ingredientes são misturados na hora. A panelinha de cogumelos com queijo curado e ovo (R$ 63) é um abraço em forma de comida, ideal para mergulhar no pão artesanal da casa.

 

Panelinha de cogumelos com queijo curado e ovo
Panelinha de cogumelos com queijo curado e ovo

 

O tradicional Bacalhau com Natas entra em forma de recheio do pastel frito (R$69). Das combinações mais solicitadas em restaurantes, carne e massa marcam presença no macio e suculento Filé Mignon Cacio e Pepe (R$149).

 

Ossobuco de Porquinho
Ossobuco de Porquinho

 

O Ossobuco de Porquinho (R$98), cozido com sálvia e laranja, desmancha do osso, acompanhado pelo aveludado purê de abóbora com pralinê de sementes. Alguns pratos do Tragaluz são também servidos no Lagar como a emblemática Pintada Tragaluz (R$164), o Bacalhau à Lagareiro (R$169) e a lendária goiabada cascão prensada na castanha de caju (R$59).

Esprit de Parenchère 2020

Bordeaux Supérieur é uma denominação de origem (AOC) francesa que exige regras mais rigorosas e representa vinhos tintos de maior qualidade. Para se enquadrar nessa categoria os vinhos devem estagiar por pelo menos 12 meses (geralmente em carvalho), ter teor alcoólico natural mínimo superior (geralmente acima de 10,5% ou 10° – 12,5°) e provêm de produtores que seguem padrões de qualidade elevados, focados em uvas como Merlot, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc.

 

Notinha 1 Esprit de Parenchère 2020
Esprit de Parenchère 2020

 

Situado na região da Gironda, a 38 km de Saint-Emilion, Chateau de Parenchère  é conhecido pela produção sustentável. O rótulo Esprit de Parenchère 2020 é a cuvée excepcional e de produção limitada a 8.000 garrafas, apenas quando as condições climáticas permitem uma maturação perfeita.

Elaborado com 60% de uvas Cabernet Sauvignon e 40% de Merlot é um vinho estruturado, com alto potencial de envelhecimento. Sua complexidade aromática vai além das frutas pretas maduras, revelando notas de cedro, grafite e especiarias doces, fruto de seus 14 meses de estágio em carvalho francês. Encontrado no mercado brasileiro por volta de R$700.

Chikapalooza

O Bar Chika, referência em alta coquetelaria em Belo Horizonte, comemorou seu primeiro aniversário com o evento Chikapalooza. O speakeasy de inspiração japonesa reuniu grandes nomes dos balcões nacionais para uma noite de criações exclusivas. A bartender Karen Silva brilhou na criação do Aka (R$ 55), meu coquetel preferido da noite.

 

Notinha 2 Aka por Karen Silva
Aka por Karen Silva

 

Despertou suspiros pela excelência em equilíbrio do Campari, Umeshu e suco de três ameixas, servido com um belíssimo gelo lapidado em um copo giratório. As três ameixas usadas foram: a vermelha que é a mais adocicada, a preta com seus taninos presentes e a umeboshi, uma conserva japonesa, responsável por acrescentar acidez e complexidade ao drink.

Esse suco foi filtrado e gelificado para simular um fake sushi pincelado de shoyu acrescido de Campari, servido como guarnição. Da carta corriqueira do Chika, comandada pelo Diego Kruz sugiro o Scottish Miso Soup (R$ 65), repleto de umami e o Jardim das Seis (R$ 42) que envolve fogo, alecrim, tequila, pepino, absinto e mel de agave – interessantíssimo.