- Educação
- setembro 14, 2026
- 5 minutos
Modelo desenvolvido em universidade mineira mapeia biodiversidade invisível em áreas remotas
Pesquisa da UFMG analisa mais de 14 milhões de registros de fauna e flora e cria mapas detalhados para apoiar ações de conservação ambiental

Da Redação
Ferramentas capazes de mapear a biodiversidade têm se tornado aliadas importantes na preservação ambiental, especialmente em regiões de difícil acesso e com poucas informações sobre as espécies que habitam esses territórios. Com esse objetivo, pesquisadores do Centro de Sensoriamento Remoto da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desenvolveram um modelo computacional que utiliza aprendizado de máquina para analisar o impacto do ambiente sobre a biodiversidade.
O sistema combina informações de clima, relevo, vegetação e ocorrência de espécies obtidas por imagens de satélite, permitindo mapear áreas com maior nível de detalhamento. Os resultados foram publicados no artigo Occurrence-based models reveal greater spatial details in tropical species richness, da revista Frontiers in Ecology and Evolution.
A pesquisa reuniu mais de 14 milhões de registros de animais e plantas para identificar padrões de distribuição da biodiversidade em diferentes regiões.
Um dos diferenciais do modelo é a capacidade de incorporar informações sobre áreas desmatadas ou degradadas, aspecto que os mapas tradicionais nem sempre conseguem captar.
Vídeo – veja mais sobre Centro de Sensoriamento Remoto da UFMG:
Entre os ambientes analisados, as florestas tropicais se destacaram pela ampla variedade de espécies. A Amazônia apareceu como a região de maior diversidade entre todos os grupos avaliados. Já o Cerrado brasileiro aponta como a savana tropical mais rica entre as áreas estudadas, reforçando a relevância do bioma nacional.
Para o líder do estudo, Ubirajara Oliveira, o modelo oferece uma visão mais precisa sobre a distribuição das espécies.
“Os modelos tiveram desempenho muito bom, com alta precisão confirmada tanto em testes internos quanto em comparação com mais de cem inventários de campo publicados na literatura científica”, afirma.
Segundo o pesquisador, os mapas gerados apresentaram grande coincidência com os utilizados pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), elaborados a partir de polígonos desenhados por especialistas, mas com um nível de detalhamento ainda maior.
“Nossos mapas mostram variações locais de riqueza que os mapas tradicionais simplesmente não capturam, principalmente em regiões afetadas por desmatamento. Esse tipo de mapa detalhado é uma ferramenta valiosa para orientar decisões de conservação, planejamento do uso da terra e avaliação de impactos ambientais, que geralmente precisam de informação em escala local e regional”, finaliza.
O modelo representa um avanço para os estudos de conservação ambiental ao ampliar a capacidade de identificar padrões de biodiversidade em diferentes escalas. Com informações mais detalhadas sobre fauna e flora, pesquisadores e gestores podem aprimorar análises sobre espécies ameaçadas e áreas sob pressão ambiental.