- Gastronomia
- maio 23, 2026
- 9 minutos
Degustatividade: Righi Gastronomia
Cozinha autoral e intimista escondida no bairro Prado

Comandado pelo jovem casal de chefs Guilherme e Yzabella, o Righi Gastronomia recebe poucas pessoas por noite, apenas com reserva, em um aconchegante salão integrado à cozinha aberta. As quintas-feiras são dedicadas ao menu degustação em nove etapas por R$290/pessoa.
Já nas sextas-feiras, entra o formato Trattoria, focado em massas frescas artesanais em menus que incluem aperitivo, antepasto, pasta e dolci a R$190 ou com opção de mais um grelhado a R$250 no total. Os outros dias da semana são dedicados aos eventos privados. O espaço funciona ainda como um empório sob demanda, produzindo pães de fermentação natural, antepastos e molhos.

Guilherme e Yzabella passaram uma temporada de dois anos na Europa e trabalharam em importantes restaurantes como o italiano Qafiz, na Calábria. Os pratos são autorais com inspiração na cozinha italiana aliada a insumos da Fazenda do Derrubado — propriedade que pertence à família do Guilherme há cinco gerações.
Cheio de histórias, ingredientes e detalhes, o menu desta temporada, intitulado CAOS, começa com dois snacks: o espetinho de camarão com lardo, teriyaki, aioli de limão e agridoce de laranja e o niguiri de magret de pato, molho de jabuticaba com pimenta e torresmo. Meu preferido da noite foi o ravioli chinês de carne de lata ao creme de castanha de caju e ponzu de limão capeta, que deu uma acidez deliciosa ao prato.

Gostei também do linguine produzido na casa, ao creme de abobrinha, fonduta de Scala 12 meses, azeite de manjericão e pangrattato. Dois pratos ousados foram o tartare e película de beterraba, pó de alcaparras, emulsão de laranja, homus de feijão e crocante de queijo e o risoto de alici, gel e achoor de cajá-manga e pó de cebola queimada.
Inspirado no trabalho do agricultor Zé de Zico, os tomates restantes do final da safra foram usados para fazer a cultura de tomate que acompanha dois diferentes bolinhos de traíra sem espinhos, cozido no vapor e empanado no fubá. A integração entre o mineiro e o italiano se mostra na porchetta de leitão recheada de linguiça, acompanhada de doce de mamão, sunomono, farofa de milho e glacê com patê de fígado.

É chegada a hora das sobremesas, ponto alto da degustação, fruto da experiência em confeitaria que adquiriram na Itália. No formato da bandeira de Minas Gerais, aparece a combinação clássica de goiabada com queijo, o imperial do produtor Ivair. Linda e elegante, a próxima sobremesa mescla culturas através da panna cotta de laranja com crocante de baru, crema pasticcera e caramelo salgado.

Harmoniza com o vinho licoroso Cais Lágrima 6 anos da vinícola mineira Casa Geraldo. Para a “hora do café” destaco o bombom de tiramisu, leve e com uma textura sensacional. Entremet e doce de leite e tartelete de broinha de fubá, ganache de capuccino e melado de cana são mais petit fours que encerram a experiência.
Tenuta Garetto Barolo DOCG SUOI 2021
Fundada em 1944, a Tenuta Garetto construiu sua reputação com base em vinhedos antigos e uma localização privilegiada em Agliano Terme. Em 2017 a família Coppo adquiriu a vinícola, que passou por uma modernização meticulosa na cantina e um manejo ainda mais sustentável nos vinhedos, consolidando a marca como uma referência de excelência e frescor na região.
Barolo, o prestigiado vinho italiano é elaborado exclusivamente com a uva Nebbiolo, colhida sob a névoa que cobre os vinhedos durante a colheita tardia de outono. É uma variedade que exige solos específicos de calcário e argila para prosperar.

Um Barolo jovem frequentemente revela uma força descomunal: acidez vibrante e taninos massivos, que exigem tempo para amaciar.
“SUOI” significa que as uvas são provenientes de diferentes parcelas e não apenas de um único vinhedo. O produtor seleciona diferentes terroirs para fazer um Barolo clássico mas pronto para o consumo”, explica o sommelier Osvaldo Torquete.
Diferente de um Barolo de vinhedo único que pode precisar de 10 a 15 anos em garrafa para amaciar seus taninos agressivos, o corte de parcelas gera um vinho de taninos já amaciados em um menor tempo em garrafa, como no Tenuta Garetto Barolo DOCG SUOI 2021. Comercializado a R$520 na Liber Wines.
Mishki Mikuy
Com fachada discreta no bairro Estrela Dalva, o Mishki Mikuy revela a autêntica culinária peruana pelas mãos dos irmãos Hermes e Christian, fiéis às suas raízes andinas. Deixaram Huancavelica, terra natal, para empreender em Belo Horizonte. Enquanto Hermes lidera as panelas, Christian assume a gestão do espaço e o preparo dos drinks típicos, como o famoso Pisco Sour.

O grande abre-alas da casa não poderia ser outro: o Ceviche Clássico (R$64,90) com grandes pedaços de peixe (como se faz no Peru) marinados em leite de tigre, molho cítrico à base de limão e do próprio suco do peixe. Servido para uma ou duas pessoas, o arroz chaufa de camarão (R$69,90 / R$99,90) é a versão peruana do arroz frito chinês – herança dos imigrantes cantoneses.
O arroz é salteado com camarão, ovo, pimentão, cebolinha e molho shoyu, bem saboroso. Já adianto que as porções são bem fartas. O Miski Mikuy prova que uma comida de qualidade não depende de luxo, mas sim de respeito aos ingredientes e fidelidade às origens.