Labace 2026: Aviação de negócios ganha força no Brasil e entra em nova fase de maturidade

Labace 2026: Aviação de negócios ganha força no Brasil e entra em nova fase de maturidade

Com crescimento da frota, recorde de operações e expansão da infraestrutura, setor amplia participação na economia, mas ainda enfrenta desafios tributários

 

Flávio Pires CEO da Abag
Para Flávio Pires, a aviação de negócios deixou de ser um segmento restrito a aeronaves executivas e passou a reunir atividades essenciais para a economia (Fotos: Vitor Machado)

 

Luís Otávio Pires (*)

SÃO PAULO – A aviação de negócios brasileira atravessa um período de expansão e começa a apresentar características típicas de mercados mais maduros. O diagnóstico é do CEO da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), Flávio Pires, apresentado durante coletiva de imprensa na Labace 2026 (Latin American Business Aviation Conference & Exhibition), realizada nesta semana, de 4 a 6 de agosto, no Campo de Martes, em São Paulo. É o maior evento da Aviação de Negócios da América Latina, que reúne fabricantes, operadores, fornecedores e profissionais do setor.

Segundo o executivo, o crescimento da frota, o aumento das operações aéreas, a modernização das aeronaves e a ampliação da infraestrutura consolidam uma nova etapa do setor no País.

O Brasil mantém a segunda maior frota de aviação geral do mundo – atrás apenas dos Estados Unidos -, mas, de acordo com Pires, alguns segmentos evoluem em ritmo superior. O executivo destacou o avanço dos jatos executivos, das aeronaves turboélice e dos helicópteros movidos a turbina, tendência que, segundo ele, indica maior sofisticação do mercado.

Os dados mais recentes revelam que a frota da aviação de negócios cresceu 5,1% nos últimos 12 meses e a maior alta foi no número de jatos, que aumentou 14,8% em relação a março de 2025. Os jatos já representam 1.189 aeronaves de uma frota de 11.375 aeronaves, enquanto os turbohélices cresceram 8,7% no mesmo período.

Segundo Pires, nos últimos anos, a frota da aviação de negócios tem registrado uma entrada constante de 600 aeronaves por ano, o que impulsiona a venda de serviços, como manutenção, peças e a comercialização de equipamentos de maneira geral, movimentando toda a cadeia.

 

“Quando o operador passa a investir em aeronaves mais complexas e de maior valor agregado, isso demonstra um processo de amadurecimento”, afirmou.

 

O crescimento da frota acompanha a expansão das operações. Em 2025, os 100 principais aeroportos do País registraram a marca de um milhão de pousos e decolagens da aviação geral. Para este ano, a expectativa da Abag é alcançar 1,2 milhão de operações.

 

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Realizada no Campo de Marte, em São Paulo, Labace 2026 é o maior evento do setor de aviação de negócios da América Latina

 

Atualmente, o Brasil possui cerca de 18 mil aeronaves ativas, número calculado pela entidade com base em aeronaves que mantêm certificado de aeronavegabilidade válido e permanecem em operação. Desse total, aproximadamente 11,3 mil pertencem ao segmento da aviação de negócios.

Desenvolvimento do setor evidente na Labace 2026

Além do aumento da frota, a expansão da infraestrutura também acompanha o desenvolvimento do setor. A construção de novos hangares, aeroportos privados e condomínios residenciais com pistas de pouso integra esse movimento, ampliando a oferta de serviços para operadores e proprietários de aeronaves.

Outro segmento que ganha espaço é o da propriedade compartilhada de aeronaves. Regulamentado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o modelo permite que diferentes cotistas dividam os custos e a utilização de uma mesma aeronave. Para o CEO da Abag, essa modalidade deve crescer nos próximos anos, seguindo tendência já consolidada em mercados como o dos Estados Unidos.

Apesar do cenário positivo, Pires aponta a carga tributária como um dos principais entraves para o setor. Segundo ele, os impostos incidentes sobre a importação elevam significativamente o custo das aeronaves no Brasil e dificultam sua posterior comercialização no mercado internacional.

A tributação também explica por que o País importa muito mais aeronaves do que exporta. Depois de internalizado, o equipamento incorpora os tributos pagos, tornando-se menos competitivo frente aos preços praticados no exterior.

Mesmo diante desse desafio, o executivo avalia que o mercado brasileiro mantém uma estrutura consolidada de manutenção, reposição de peças e assistência técnica, com centros especializados distribuídos pelo País e logística considerada eficiente para atender à frota em operação.

Para Pires, os indicadores mostram que a aviação de negócios deixou de ser um segmento restrito a aeronaves executivas e passou a reunir atividades essenciais para a economia, incluindo táxi aéreo, aviação agrícola, transporte corporativo, operações offshore, segurança pública e serviços especializados.

 

“O Brasil continua ampliando sua relevância na aviação de negócios e reúne condições para manter esse ritmo de crescimento nos próximos anos”, avaliou.

 

(*) Viajou a convite da Abag (Associação Brasileira de Aviação Geral)