- Sociedade
- novembro 8, 2025
- 6 minutos
Plop Champagne: Champagnes de Vignerons
O nobre tesouro pouco conhecido da região

“Vignerons” em francês significa viticultores, ou vinhateiros. Quem faz todo o processo, da vinha ao vinho. Na história de Champagne, esses viticultores anteriormente só plantavam as uvas e vendiam as grandes Maisons com produções imensas, que por sua vez precisam de mais uvas do que detém de hectares. E eles são os maiores proprietários das preciosas terras da região, essenciais para obtenção das mais nobres uvas, e indispensáveis para as grandes casas.
E foi aí que, de alguns anos para cá, muitos deles pensaram: temos a melhor matéria prima, porque não produzirmos champagne também? E esses são os ‘vignerons’, viticultores com grande expertise na matéria prima, que começaram a se aventurar com sua própria produção. Há muitos anos já tínhamos alguns vignerons, mas no último século o número aumentou e vem aumentando gradativamente.
Por não possuírem a necessidade de volume de produção em massa padrão das grandes casas, eles possuem uma liberdade de criação bem maior, e com isso, a alquimia e a ousadia nos proporcionam joias borbulhantes.
Esses pequenos produtores, que prefiro chamar de “pequenos grandes produtores”, têm ganhado destaque no mercado dos champagnes. Ainda pouco conhecidos internacionalmente, principalmente aqui no Brasil, mas aos poucos vêm ganhando notoriedade.
Fato é que são produtos mais caros e raros do que a maioria dos rótulos das grandes Maisons, por serem produções bem menores e, muitas vezes, com longos tempos de maturação, uvas de altíssimo nível como dos terroirs Grand Cru e técnicas elaboradas e consequentemente caras, que eles muitas vezes utilizam.
Costumo dizer que o champagne de Vigneron é uma classe à parte. É um outro mundo do champagne. E eu sou fã de ambos! Tanto das grandes Maisons quanto destes produtores, afinal, a qualidade determinada pelos órgãos reguladores da AOC exigem um padrão mínimo que supera os máximos padrões de muitas regiões vinícolas (um dos muitos motivos do alto valor agregado do produto).
O champagne de pequeno produtor tem um encanto particular. Além das muitas técnicas exploradas, muitos têm elaborado rótulos com as “castas esquecidas” de Champagne. Para quem não sabe, existem 7 castas aprovadas em Champagne. Além das 3 principais: Chardonnay, Pinot Noir e Meunier, temos Pinot Blanc, Arbane, Pinot Gris e Petit Meslier. Ah, e em primeira mão, a oitava casta acaba de ser aprovada: Chardonnay Rosé.
Uma mutação da rainha branca Chardonnay, que mantém as características de frescor, mas possui uma maior resistência a doenças fúngicas e ao calor, fato importante e relevante diante das alterações climáticas que o mundo vem sofrendo. Outra casta está sendo testada para em breve entrar na lista, a Voltis.
A exploração dessas castas menos utilizadas, e de técnicas aprovadas pelo comitê e da mesma forma, pouco utilizadas, trazem um diferencial especial ao resultado desses champagnes. Quando apresento nos eventos, as reações são as mesmas: nossa, isso é muito diferente! Foge aos padrões e nos mostra ainda mais a profundidade e qualidade dessa aclamada região.
Felizmente, cada vez mais, temos importadores trazendo diversas champagnes de Vignerons para o Brasil. Um grande desafio, pois o conhecimento por aqui ainda é pequeno. Mas aos poucos, vamos apresentando e encantando o público amante das borbulhas!
Aproveito para deixar aqui minhas sugestões de alguns dos rótulos encontrados no Brasil que mais gosto, para que vocês tenham a oportunidade de mergulhar nesse universo sem volta! Santé!
- Champagne Pierre Gerbais Grain de Celles – importado por Anima Vinum Brasil (www.animavinum.com.br)
- Champagne Moutard 6 cépages – importado por Divvino (www.divvino.com.br)
- Champagne Jeaunaux Robin Éclat de Meuliere – importado por Anima Vinum Brasil (www.animavinum.com.br)
- Champagne Robert Moncuit Les Grands Blancs Grand Cru – importado por Anima Vinum Brasil (www.animavinum.com.br)