- Gastronomia
- junho 20, 2026
- 7 minutos
Degustatividade: Lençóis Maranhenses
Sabores ao redor da imensidão de dunas e lagoas

Para além do cenário deslumbrante das dunas imponentes e lagoas de água cristalina, os arredores dos Lençóis Maranhenses revelam um patrimônio cultural à mesa. A pesca artesanal do camarão no Maranhão é uma das atividades mais importantes para a economia e subsistência das comunidades costeiras, com destaque para espécies de alto valor comercial como o camarão-branco, rosa e piticaia.
O litoral do estado abriga um dos maiores bancos camaroneiros do mundo. Peixes como o Robalo, Pescada Amarela e Serra pecados no dia são servidos com maestria ao lado do típico baião de dois e arroz de cuxá. Com sua deliciosa acidez e um toque cítrico que lembra Azedinha, a folha da vinagreira, uma espécie de hibisco, é a estrela do arroz de cuxá, servido em versões com camarão e quiabo. Bacuri e buriti são frutas deliciosas utilizadas em doces, sucos e sorvetes.
Na charmosa vila de Atins, a culinária local pode ser desfrutada em restaurantes “pé na areia” que valorizam a tradição do Maranhão. Ao caminhar pela praia encontramos uma ótima estrutura adaptada para a grande variação da maré ao longo do dia.
Acertamos na escolha do almoço na Cabana do Peixe, uma das mais simples e que certamente representa a essência da culinária local. Para duas pessoas, o suculento peixe grelhado (R$195) e o camarão aberto ao meio (R$221) chegam à mesa escoltados pelo abraço reconfortante do baião de dois e do arroz de cuxá.
Da praia de Atins, contrate um barquinho para te levar até a Ponta Brasília, um banco de areia entre o Rio Preguiças e o mar, onde está instalado o Maria Farinha. Comandado pela chef Carol Vereza, a rústica cabana, sem energia elétrica, aposta no sabor da brasa para o preparo de um menu farto por preço fixo (R$140,00 por pessoa).
A escolha é entre o Robalo ou o camarão, servidos com sete acompanhamentos que podem ser repostos à vontade. Destaque para a acelga refogada e o vinagrete de manga. Abacaxi flambado com calda de uva e o espetacular doce de buri encerram o almoço.
Dos mais disputados da Rua Principal, o Casa de Juja pertence a uma tradicional família maranhense . O famoso ateliê gastronômico foi fundado pela chef e culinarista maranhense Ana Lula (conhecida como Juja), natural de Santa Inês.
Após seu falecimento, o legado do restaurante e da autêntica culinária local continuou sendo administrado de mãe para filho, com a gestão tocada por seus herdeiros. Começamos pelo Mix Maranhensidade (R$45) para provar um pouquinho de cada uma das entradas, composto de casquinha de caranguejo, vatapá e vinagrete de patinha de caranguejo.
Em uma placa de pedra sabão o prato Delícias do Mar (R$285) é composto por lagosta, camarão, filé de pescada em crosta de castanha e vegetais grelhados ao azeite. Claro que não poderia faltar o arroz de cuxá dentre os acompanhamentos, além de farofa de sururu, vatapá e vinagrete com frutas tropicais.
Outra especialidade da casa é o Sonho de Juja (R$180), um creme delicioso de macaxeira, queijo coalho e milho verde, que envolve os camarões. Ambos os pratos principais servem duas pessoas. Finalizamos com o creme de bacuri com calda de cupuaçu (R$35).
Depois de atravessar os lençóis maranhenses em três dias de trekking, nos esbaldamos nas carnes do Sol de Amaro restaurante em Santo Amaro. O espetacular cabrito ao leite de coco desmanchava do osso (R$180/2 pessoas). Muito boa também a carne de sol (R$160). Além das delícias do mar, o Maranhão também tem tradição nos sabores da terra.
Em São Luís estivemos no Flor de Vinagreira e não poderíamos deixar de provar o chopp artesanal da casa (R$16), feito com a folha da vinagreira. Nos aventuramos ainda na na caipirinha de tiquira (R$28), destilado nativo de mandioca.
Petiscamos de entrada o Tiquinho Maranhense (R$89) que apresenta a tipicidade local em potinhos de vatapá, arroz de cuxá, isca de peixe ,camarão recheado e casquinha de caranguejo. Para continuar na diversidade de sabores, a pedida foi o Terra e Mar (R$230), que une carne de sol, camarão, pescada e macaxeira frita.
A descontração de um boteco raíz se faz presente no Cafofinho da Tia Dica, onde apreciamos as ótimas friturinhas: torresminho de pirarucu e pastel recheado de cuxa e de vatapá. A clássica combinação de carne de sol com mandioca não tem erro.
Para quem busca ambientes mais formais, o Ferreiro Praia é uma escolha certeira. Compartilhamos a frigideira de polvo, lula e bacon (R$49) e a panelinha mista de frutos do mar (R$57). Gostamos bastante dos pratos principais: robalo grelhado e gratinado com queijo do reino, acompanhado arroz de frutos do mar e o polvo grelhado com arroz de linguiça, batata e brócolis. Ambos individuais servidos com fartura (R$79 cada).