Degustatividade: Bar Padrin

Degustatividade: Bar Padrin

Excelência culinária em ambiente descontraído

Hummus tehina (1)
Hummus tehina (Fotos: Léa Araujo)

 

O típico bar que o belo-horizontino valoriza: mesas na calçada, clima informal, comida boa e cerveja de garrafa bem gelada. Essa é a proposta do Padrin, que vai além do básico e apresenta pratos excelentes, cheios de camadas de sabor, cuidadosamente elaborados e de apresentação impecável.

Croqueta de copa (1)
Croqueta de copa

Antes de abrir o próprio negócio ao lado de seu primo Thiago Tassi, o chef Daniel Tassi lapidou seu talento em cozinhas de peso na capital mineira, acumulando bagagem em restaurantes como Pacato e Querida Jacinta. As porções do cardápio são para compartilhar e variam de tempos em tempos de acordo com a criatividade do chef. Confesso que pediria as 14 opções disponíveis. 

O hummus de grão-de-bico (R$46) se destaca pela cremosidade, servido com cebolas assadas e taberu rayu, condimento japonês à base de óleo de gergelim e pimenta, riquíssimo em sabor. Essa maravilha também faz parte do rosbife de lagarto bovino (R$52), cozido em baixa temperatura e entremeado de picles de cebola. Ambos os pratos são rodeados por azeite, acompanhados de pão sírio grelhado, servido quentinho.

Daniel e Thiago Tassi (1)
Daniel e Thiago Tassi

 

“Picado na ponta da faca” é uma técnica de corte manual em cubos bem pequenos com faca afiada, de forma a preservar a textura e o suco da carne, ideal para preparos como o steak tartar. A versão do Padrin é feita de baby beef bovino curado, muito bem temperado com maionese, molho de ostra e furikake. O uso de condimentos asiáticos agrega sabor umami às receitas.

Daquelas friturinhas que valem cada mordida, a croqueta de copa-lombo cozido e desfiado (R$44) tem textura aveludada por dentro, perfeitamente empanada por fora. Por cima vai uma fina fatia de jamón espanhol e por baixo uma maionese caseira especial. 

O drinque que leva o nome da casa é uma ótima pedida para acompanhar os comes, feito de cachaça Princesa do Vale envelhecida, xarope de maracujá, limão capeta, água com gás, canela e espuma de gengibre (R$33). A carta de bebidas apresenta boa variedade de coquetéis clássicos e vinhos na faixa de R$140. Se preferir levar seu rótulo, a taxa de rolha custa R$60.

Julia Kemper Elpenor Palhete

Notinha 1 Julia Kemper Elpenor Palhete (1)
Notinha 1 Julia Kemper Elpenor Palhete

 

Das vinícolas mais prestigiadas e revolucionárias da região do Dão, em Portugal, Julia Kemper Wines resgata um legado familiar de mais de 400 anos na Quinta do Cruzeiro, em Mangualde. A advogada Julia Kemper iniciou sua transição de carreira em 2003, quando aceitou o desafio do pai de assumir as terras ancestrais da família Melo e liderar o retorno da produção vinícola própria. Ela reestruturou completamente os vinhedos e, inspirada pelos conceitos de Rudolf Steiner, baniu os defensivos químicos e converteu a propriedade rumo à certificação biológica e biodinâmica.

Os 15 hectares de vinhas da Quinta do Cruzeiro coexistem integrados a olivais e floresta nativa, preservando um ecossistema rico e focado no respeito à biodiversidade. As tradicionais uvas Encruzado, Alfrocheiro e Jaen são colhidas manualmente para serem fermentadas espontaneamente por meio de leveduras nativas nos históricos lagares de granito da adega original, datada de 1850.

Palhete é um estilo histórico de vinho tinto, produzido pela fermentação conjunta de uvas tintas e brancas – e não pela mistura dos vinhos já prontos. Sua maior tradição mundial concentra-se em Portugal, resultando em um vinho fresco e extremamente agradável de beber, executado com maestria na Julia Kemper Wines. Disponível na Casa Luzitana por R$289.

Faísca Bar

Notinha 2 Rosbife do Faisca (1)
Rosbife do Faísca

 

Em clima de festa junina, o chef Zito Cavalcanti elaborou um cardápio especial em paralelo aos seus já consagrados pratos. Veio do Mato Grosso o peixe usado no caldo de Piranha (R$24), daqueles que aquecem a alma. Os pastéis do Zito são famosos pelos recheios criativos. Outra peculiaridade está na técnica de secagem após a fritura: eles repousam sobre uma camada de farinha de pão, estratégia para garantir ainda mais crocância, aprendida com sua avó.

O pastel de frango com milho foi uma edição especial e vale a pena provar ainda o de repolho assado na brasa com queijo (R$32) e o de bacalhau defumado à portuguesa com ovo de codorna em conserva (R$44). O drinque Jorge Amado (R$26), à base de cachaça, limão e maracujá foi transformado em geleia para acompanhar o torresmo defumado (R$48).

Ficou um espetáculo. Recomendo fortemente o rosbife de filé na brasa com batatas coradas e chimichurri (R$74). Parece uma porção simples, mas revela um sabor especial, obra do talentoso Zito, que coloca um toque de magia em suas receitas.

Jantar Musical no Renato Quintino

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Jantar Musical (Foto: Jane Linhares)

 

Apreciador dos concertos da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, Renato Quintino uniu duas paixões – música e gastronomia – em seus eventos mensais.  O gastrônomo sentia falta de música em suas aulas de gastronomia e, ao mesmo tempo, ansiava por uma boa refeição durante as apresentações na Sala Minas Gerais.

A solução foi convidar músicos da Filarmônica para apresentações intimistas e exclusivas, interpretando obras cuidadosamente conectadas a um menu degustação criado especialmente para cada noite. Inspirados na cultura francesa, apreciamos a apresentação do trio Dzencana com Israel Muniz no oboé, Victor Morais no fagote e Marcus Julius Lander no clarinete, que apresentaram obras de Bizet, Auric, Milhaud e Ibert.

Em plena harmonia com a música, degustamos clássicos da culinária francesa como o boeuf bourguignon (guisado de carne ao vinho tinto) e a moelleux au chocolate com caramelo de flor de sal, calda de gianduia e avelãs – uma sobremesa deliciosa! Também adorei o consommé de abóbora com camarão, perfumado pela manteiga de sálvia e pela crocância do biscoito amarettini. Claro que uma boa seleção de queijos franceses e mineiros não poderia faltar.