- Gastronomia
- julho 4, 2026
- 9 minutos
Degustatividade: Bar Padrin
Excelência culinária em ambiente descontraído

O típico bar que o belo-horizontino valoriza: mesas na calçada, clima informal, comida boa e cerveja de garrafa bem gelada. Essa é a proposta do Padrin, que vai além do básico e apresenta pratos excelentes, cheios de camadas de sabor, cuidadosamente elaborados e de apresentação impecável.

Antes de abrir o próprio negócio ao lado de seu primo Thiago Tassi, o chef Daniel Tassi lapidou seu talento em cozinhas de peso na capital mineira, acumulando bagagem em restaurantes como Pacato e Querida Jacinta. As porções do cardápio são para compartilhar e variam de tempos em tempos de acordo com a criatividade do chef. Confesso que pediria as 14 opções disponíveis.
O hummus de grão-de-bico (R$46) se destaca pela cremosidade, servido com cebolas assadas e taberu rayu, condimento japonês à base de óleo de gergelim e pimenta, riquíssimo em sabor. Essa maravilha também faz parte do rosbife de lagarto bovino (R$52), cozido em baixa temperatura e entremeado de picles de cebola. Ambos os pratos são rodeados por azeite, acompanhados de pão sírio grelhado, servido quentinho.

“Picado na ponta da faca” é uma técnica de corte manual em cubos bem pequenos com faca afiada, de forma a preservar a textura e o suco da carne, ideal para preparos como o steak tartar. A versão do Padrin é feita de baby beef bovino curado, muito bem temperado com maionese, molho de ostra e furikake. O uso de condimentos asiáticos agrega sabor umami às receitas.
Daquelas friturinhas que valem cada mordida, a croqueta de copa-lombo cozido e desfiado (R$44) tem textura aveludada por dentro, perfeitamente empanada por fora. Por cima vai uma fina fatia de jamón espanhol e por baixo uma maionese caseira especial.
O drinque que leva o nome da casa é uma ótima pedida para acompanhar os comes, feito de cachaça Princesa do Vale envelhecida, xarope de maracujá, limão capeta, água com gás, canela e espuma de gengibre (R$33). A carta de bebidas apresenta boa variedade de coquetéis clássicos e vinhos na faixa de R$140. Se preferir levar seu rótulo, a taxa de rolha custa R$60.
Julia Kemper Elpenor Palhete

Das vinícolas mais prestigiadas e revolucionárias da região do Dão, em Portugal, Julia Kemper Wines resgata um legado familiar de mais de 400 anos na Quinta do Cruzeiro, em Mangualde. A advogada Julia Kemper iniciou sua transição de carreira em 2003, quando aceitou o desafio do pai de assumir as terras ancestrais da família Melo e liderar o retorno da produção vinícola própria. Ela reestruturou completamente os vinhedos e, inspirada pelos conceitos de Rudolf Steiner, baniu os defensivos químicos e converteu a propriedade rumo à certificação biológica e biodinâmica.
Os 15 hectares de vinhas da Quinta do Cruzeiro coexistem integrados a olivais e floresta nativa, preservando um ecossistema rico e focado no respeito à biodiversidade. As tradicionais uvas Encruzado, Alfrocheiro e Jaen são colhidas manualmente para serem fermentadas espontaneamente por meio de leveduras nativas nos históricos lagares de granito da adega original, datada de 1850.
Palhete é um estilo histórico de vinho tinto, produzido pela fermentação conjunta de uvas tintas e brancas – e não pela mistura dos vinhos já prontos. Sua maior tradição mundial concentra-se em Portugal, resultando em um vinho fresco e extremamente agradável de beber, executado com maestria na Julia Kemper Wines. Disponível na Casa Luzitana por R$289.
Faísca Bar

Em clima de festa junina, o chef Zito Cavalcanti elaborou um cardápio especial em paralelo aos seus já consagrados pratos. Veio do Mato Grosso o peixe usado no caldo de Piranha (R$24), daqueles que aquecem a alma. Os pastéis do Zito são famosos pelos recheios criativos. Outra peculiaridade está na técnica de secagem após a fritura: eles repousam sobre uma camada de farinha de pão, estratégia para garantir ainda mais crocância, aprendida com sua avó.
O pastel de frango com milho foi uma edição especial e vale a pena provar ainda o de repolho assado na brasa com queijo (R$32) e o de bacalhau defumado à portuguesa com ovo de codorna em conserva (R$44). O drinque Jorge Amado (R$26), à base de cachaça, limão e maracujá foi transformado em geleia para acompanhar o torresmo defumado (R$48).
Ficou um espetáculo. Recomendo fortemente o rosbife de filé na brasa com batatas coradas e chimichurri (R$74). Parece uma porção simples, mas revela um sabor especial, obra do talentoso Zito, que coloca um toque de magia em suas receitas.
Jantar Musical no Renato Quintino

Apreciador dos concertos da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, Renato Quintino uniu duas paixões – música e gastronomia – em seus eventos mensais. O gastrônomo sentia falta de música em suas aulas de gastronomia e, ao mesmo tempo, ansiava por uma boa refeição durante as apresentações na Sala Minas Gerais.
A solução foi convidar músicos da Filarmônica para apresentações intimistas e exclusivas, interpretando obras cuidadosamente conectadas a um menu degustação criado especialmente para cada noite. Inspirados na cultura francesa, apreciamos a apresentação do trio Dzencana com Israel Muniz no oboé, Victor Morais no fagote e Marcus Julius Lander no clarinete, que apresentaram obras de Bizet, Auric, Milhaud e Ibert.
Em plena harmonia com a música, degustamos clássicos da culinária francesa como o boeuf bourguignon (guisado de carne ao vinho tinto) e a moelleux au chocolate com caramelo de flor de sal, calda de gianduia e avelãs – uma sobremesa deliciosa! Também adorei o consommé de abóbora com camarão, perfumado pela manteiga de sálvia e pela crocância do biscoito amarettini. Claro que uma boa seleção de queijos franceses e mineiros não poderia faltar.