- Plop Champagne
- setembro 26, 2026
- 8 minutos
Plop Champagne: Além das bolhas: os outros tesouros de Champagne
Conheça as bebidas que nascem de diferentes etapas da viticultura champenoise e revelam um lado menos explorado da região

Luísa Fonseca
Quando pensamos em Champagne, é inevitável imaginar a efervescência. A taça, as borbulhas, a longa maturação sobre as leveduras e a elegância que transformaram uma região francesa em um dos maiores símbolos de celebração do mundo.
Mas existe uma Champagne (região) que permanece quase silenciosa nas garrafas: aquela dos destilados e aperitivos elaborados a partir da própria matéria-prima da região.

Ratafia Champenois, Marc Champenois e Fine Champenoise contam uma história paralela. São bebidas diferentes entre si, mas que têm algo em comum: revelam como o savoir-faire vai muito além da elaboração do vinho espumante. E, talvez, seja justamente aí que esteja seu maior encanto.
Ratafia: a expressão do mosto
Entre essas bebidas, o Ratafia Champenois talvez seja a que melhor traduz a própria vindima.
Ele é elaborado a partir do mosto fresco das uvas da região e de álcool de origem vitícola. Ao adicionar o álcool ao mosto, a fermentação é impedida, preservando parte da doçura natural e da fruta. Não estamos, portanto, diante de um destilado feito de resíduos da prensagem, mas de uma bebida que nasce diretamente do mosto.
A legislação estabelece que o Ratafia Champenois tenha entre 16% e 22% de álcool e pelo menos 110 gramas de açúcar por litro. Antes de chegar ao consumidor, deve passar por uma maturação mínima de 10 meses em tanque ou barrica; quando submetido a envelhecimento sobre madeira, o período mínimo é de três anos.

Quando jovem, pode trazer fruta fresca, flores e uma sensação vibrante de acidez. Com o envelhecimento, surgem frutas secas, especiarias, notas de nozes e uma textura mais untuosa.
É uma bebida que pode ser apreciada como aperitivo, mas que também encontra espaço à mesa, especialmente ao lado de foie gras e queijos.
Marc Champenois: quando a prensa ganha uma segunda vida
Se o Ratafia nasce do mosto, o Marc Champenois vem de uma matéria-prima diferente: os marcs, as partes sólidas que permanecem depois da prensagem das uvas.
Na Champagne, essas matérias são tradicionalmente chamadas de “aignes” no dialeto local e podem conter cascas, polpa, sementes e ainda uma pequena quantidade de suco. São justamente esses elementos que, depois de fermentados e destilados, dão origem ao Marc.

A destilação é realizada em alambiques de cobre, e o resultado pode permanecer branco e límpido quando envelhecido em tanque ou ganhar tonalidades âmbar quando passa por madeira.
Quando jovem, pode preservar uma expressão mais direta da fruta. Com o envelhecimento em madeira, ganha outras camadas: baunilha, chocolate, especiarias.
O que poderia ser simplesmente um resíduo da produção torna-se matéria-prima para uma nova bebida, construída por outra técnica e com outra personalida
Fine Champenoise: o vinho e o alambique
A Fine Champenoise, também denominada “Eau-de-vie de vin de la Marne”, é uma aguardente produzida pela destilação de vinhos provenientes de Champagne. Diferentemente do Marc, portanto, sua matéria-prima não são as partes sólidas da uva, mas sim o vinho já pronto.
A destilação ocorre também em alambiques de cobre e a bebida pode ser comercializada branca ou envelhecida em madeira. Na versão envelhecida, as normas determinam um período mínimo de 24 meses em recipientes de carvalho de até 10 hectolitros.
O resultado desenvolve aromas que começam com flores, frutas de polpa branca, como maçã e pera, e podem evoluir para baunilha, madeira, pão tostado e tabaco claro.
E existe ainda uma distinção importante: atualmente, Ratafia Champenois é uma indicação geográfica própria, enquanto Marc Champenois e Fine Champenoise são indicações geográficas de bebidas espirituosas reconhecidas na legislação francesa.
Muito antes de o aproveitamento integral da matéria-prima se tornar uma tendência, os produtores já encontraram maneiras de extrair valor de diferentes partes da uva e de diferentes etapas da elaboração.
Essas bebidas nos fazem compreender uma Champagne menos óbvia. Uma Champagne de alambiques. De aromas de frutas secas, especiarias, madeira. Uma Champagne que vai além das borbulhas para expressar sua identidade.
Santé!
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