- Plop Champagne
- agosto 29, 2026
- 7 minutos
Plop Champagne: A colheita em Champagne
Como as alterações climáticas têm impactado na antecipação da data definida pelo CIVC para colheita das uvas

Luisa Fonseca
O CIVC- Comitê Regulador de Champagne– é um importante órgão, criado em 1941, que define todas as regras da produção dessa AOC. Essas regras regulam a qualidade da produção para que o néctar produzido possa ser classificado como champagne.
Não basta só estar na região. Tem que seguir as cerca de 40 páginas de normas e detalhes que ditam com precisão o que pode e não pode ser feito desde o plantio das uvas até a chegada ao mercado.
Dentre essas múltiplas regras, a colheita é uma das mais importantes. A definição da data de início muda a cada ano, e é definida com base em diversos parâmetros, incluindo como foi o comportamento climático do ano.
O “Réseau Matu” define a evolução da maturação de cada parcela, variedade, dentre outros aspectos químicos, como o nível mínimo de álcool potencial na hora da colheita e a análise de percentuais de ácido málico e fenólico nas uvas.
Após todas as análises, o CIVC define a “ban des vendanges” – data da colheita. Essa decisão engloba não só a data de início permitida, como a quantidade de uvas que podem ser colhidas por hectare, que também muda a cada ano.

A colheita dura em média de 2 a 3 semanas, e conta com milhares de trabalhadores temporários para auxiliar. A quantidade a ser colhida é grande e o tempo é curto! A região para e todos os olhos são para as enaltecidas uvas de Champagne.
Mas geralmente quando acontece essa colheita? Bom, o ciclo das videiras dura originalmente 96 dias. Desde a poda até a colheita. Mas o progresso desse ciclo depende justamente do clima. E é aí que entram as alterações climáticas que temos sentido em todo o mundo nos últimos tempos.
Com o aquecimento global, as estações do ano que antes eram bem definidas, agora se apresentam incertas. E o ciclo das videiras é afetado diretamente com isso. Aumento de geadas em momentos críticos como a brotação podem acabar com parcelas inteiras de uvas.
Altas temperaturas desregulam a maturação e afetam os níveis de acidez, característica tão marcante e importante nos champagnes. A colheita, que antes acontecia em meados de setembro ou outubro, tem se antecipado cada vez mais. Este ano tivemos um recorde, com início na primeira semana de agosto.

Para entender ainda mais de perto como foi essa colheita de 2026, entrevistamos uma enóloga brasileira que vive na região e acompanha anualmente- de perto- essa época tão importante.
“A vindima 2026 já entrou para a história da Champagne. Depois de um verão extremamente quente e seco, a colheita começou no dia 6 de agosto, em Montgueux, na região da Aube, sendo a data mais precoce já registrada na Champagne.A falta de água se refletiu no tamanho das uvas.
Com menos água disponível e bagas menores, encontramos mostos mais concentrados, tanto aromaticamente quanto em açúcares, com um perfil diferente daquele que estamos acostumados a encontrar por aqui. Em algumas parcelas, chegamos a 14% de álcool potencial, valores normalmente encontrados em regiões vitícolas do sul da França.
A Champagne é um mosaico de terroirs e existem crus e parcelas onde as uvas mantiveram tamanhos mais próximos do habitual e níveis de açúcar dentro das médias que conhecemos na região. É justamente essa diversidade que faz com que uma mesma condição climática possa se expressar de maneiras bastante diferentes de um vilarejo para outro.
Estamos todos curiosos para descobrir o que essa vindima vai revelar depois das fermentações. Estamos diante de uma matéria-prima bastante diferente do habitual e será muito interessante acompanhar como toda essa concentração vai se traduzir nos vinhos. Certamente teremos novidades e provavelmente, perfis surpreendentes na taça.”
Rachel Oliveira, enóloga consultora Champrivilège
Saiba mais em @plop.champagne ou (31)98899-0608
Santé!!!